Entre o medo e o silêncio
Uma análise da violência doméstica, vulnerabilidade social e território nos aglomerados urbanos de Belo Horizonte
Palavras-chave:
violência doméstica, vulnerabilidade social, gênero, políticas públicas, enfrentamentoResumo
A violência doméstica contra mulheres permanece como fenômeno estrutural no Brasil, atravessando dimensões de gênero, raça e classe, e manifestando-se de forma mais intensa em territórios de vulnerabilidade social. Este artigo investiga como moradores de aglomerados urbanos de Belo Horizonte percebem a violência doméstica e de que maneira a vulnerabilidade territorial influencia a naturalização, a permanência e as dificuldades de enfrentamento do problema. A pesquisa adota abordagem qualitativa, com revisão bibliográfica, análise documental e estudo de dados oficiais, articulando diagnósticos sobre letalidade, barreiras institucionais, redes de apoio e dinâmicas territoriais. Os resultados indicam que fatores como medo, dependência econômica, presença limitada do Estado e distância simbólica entre comunidade e instituições ampliam a subnotificação e dificultam o acesso à proteção. Conclui-se que políticas públicas de enfrentamento à violência doméstica só alcançam efetividade quando territorializadas, intersetoriais e construídas com participação das mulheres dos próprios territórios.
